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domingo, 24 de janeiro de 2010

A verdadeira ARTE é invendável por mais preço que consiga, pois estará sempre ligada umbilicalmente pelo estilo e história, ao seu criador.

Observem em tamamho grande que bela foto que ficou esta que tirei da Praça Sete
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Acho que só agora que caiu a minha ficha
Ficava questionando o porquê de ter-me afastado das exposições domingueiras na Galeria a Céu Aberto. A qual muito trabalhei para fazê-la acontecer. Uma das coisas que sempre defendi é que o artista deve estar onde o povo está. Talvez por causa de posições que eu manifestava em relação a Arte e a interferência publica que o artista poderia fazer através dela, numa busca da mudança de cultura e status quo do publico, fazendo-o pensar e se envolver com valores abstratos, subjetivos, não materiais, por isso o Amêndola dizia que eu era um artista engajado. Na época não entendia bem o porquê de dizer isto.
Comecemos lá atrás:
Quando o Leopoldo levava suas obras para a praça XV e amarrava um arame de uma árvore na outra e lá montava seu famoso "varal", ficava empolgadíssimo com a idéia, imitando-o em sua ausência varias vezes, era ainda quase um menino.
Hoje, os autores de arte contemporânea chamariam a isso de Intervenção Urbana. É isso mesmo, Leopoldo já fazia intervenções urbana artística naquela época, entre duas árvores, as vezes três. Cercando a passagem com seus quadros, forçando os afobados terem que parar e olhar a cidade de outra maneira, de repente com uma galeria, a sua frente, à céu aberto. Alguns, não tinham jeito mesmo, mais estressados trombavam, passavam por baixo. Leopoldo ficava sentado no banco da praça observando e dando risada para os acontecimentos diante seu quadros. Às vezes, muito inspirado, aprontava alguma arruaça com os pedestres.
Para uma Ribeirão Preto da época quase provinciana, era uma novidade aos quatro ventos. Onde mais tinha arte aqui? (Só depois de muito tempo surgiu o espaço do Centro Médico para exposição). Leopoldo formava e alimentava toda uma nova geração de amantes da arte, sem pretender, aliás, eu fui apenas um deles. Era Arte pela Arte.
- Quero comprar aquele quadro. Quanto é?
- Não vendo! Era sempre esta a resposta de Leopoldo.
Arte pela arte, não arte para comércio. E assim fui crescendo vendo suas várias maneiras de interagir com o publico e intervir no cotidiano urbano. Situações notáveis como:
- É esse que quer comprar?
– É!
Foi até na sarjeta e quebrou-o
– E agora? Quer compra ainda?
– Aí não!
– Mas é o mesmo quadro!
Em outro momento, num acesso de doidera, quebrou uma leva deles e pois fogo em outros. Expos o resultado de sua fúria, deixando todo mundo escandalizado. Inclusive eu. Fui até à praça não estava mais lá. Corri à sua casa e lá estava ele restaurando um por um meticulosamente, com maestria recompunha pedaço por pedaço, num quebra cabeça enorme. Daí uns dias para surpresa de todos lá estavam expostos na praça, todos inteiros de novo, intactos, como num passe de mágica.

Um bom período após essa época começamos a encontrar alguns amigos artistas com o propósito de expor e pintar na praça, começamos a fazê-lo na Praça da Catedral a convite do pessoal do artesanato. Não vingou, fomos umas duas vezes e encerrou,sentíamos estranhos ao lugar. Começamos então a trabalhar com um grupo maior para conseguir a Praça Sete, a Secretaria da Cultura ofereceu-nos inicialmente a Praça Camões, onde por alguns meses pintávamos e expunhamos nossas obras. Até que por fim, atendendo aos nossos pedidos, oficializaram a “Galeria á Céu Aberto”. Passados alguns poucos meses, comecei a sentir algo estranho no ar: o pessoal falando só em vender...que vendeu...que deixou de vender...Os assuntos não eram sobre Arte, troca de experiência ou coisas assim. De repente olhei para meus trabalhos nos cavaletes e alguns apoiados no chão, as pessoas passando, olhando, perguntando preço, olhando as obras como mercadorias. Uma cara de feirinha de arte. Pensei no meu passado da Praça XV, o que estava acontecendo não era o que queria. Inicialmente, até pela novidade e o impacto, foi até uma intervenção cultural urbana, mas logo em seguida os artistas caíram nas armadilhas do publico comprador, que faziam tipo de um leilão invertido de um artista para o outro. Quem vendesse por menos conseguia comprador. Abandonei e não retornei mais. Não batia mais com os meus objetivos.
Assisto agora ao pessoal retornado às atividades de exposição na Praça Sete, aconselho que não caiam nas mesmas armadilhas de sempre. Se visarem só o preço não alcançarão “valor”.

Um comentário:

  1. Miguel, Bom Dia!
    Acabei de ler no seu Blog o comentario sobre a Praça 7 de Setembro. Não sei se voçê se lembra ,muitos artistas, como nós, lutaram, no bom termo da palavra para que conseguissemos a Praça para as nossas exposições de Arte Domingueiras. Quantas e quantas vezes estivemos na Camara Municipal a noite, para os forçar a aceitar as nossas reivindicações. No fim conseguimos, Aleluia! O que aconteceu depois? A Prefeitura assumiu o comando da Praça sob a batuta do Prefeito Jábali,. e , a casa da Cultura passou a selecionar as nossas duas exposições permitidas durante o ano; uma no MARP e outra na Casa da Cultura.Muitos artistas ficaram de fora das exposições. A nossa intenção era, para que todos os associados da Associação, pudessem expor sem o comando da Curadoria da C. Cultura ou de quem quer que seja. Aí começaram os problemas: os artistas mais antigos da cidade (esqueceram que também foram principiantes) começaram a nos chamar de pintadores de panos de prato e as senhoras donas Marias que não tinham que fazer e, por ai vai... Todos esses problemas resultaram em afastamento da Praça.
    Quanto a vender obras, acredito, que todo o pofissional se sente motivado ao ver que alguém gostou e adquiriu uma peça sua.
    Simone

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