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quarta-feira, 19 de agosto de 2009

O Sonho da Razão Produz Monstros - Goya


Quando a razão fica adormecida, como na época de Goya, ainda mais em Espanha (agravado pelo fanatismo religioso do século XVIII), produz monstros através de seus sonhos, caindo no caos e alienação da realidade, figurados nessa gravura de Goya pela representação das aves noturnas de olhos arregalados que sabem caminhar nas trevas. Mas no caso quem dorme é o artista, não em seu leito mas sobre sua prancheta, onde essas bestas oníricas e irracionais incitarão o artista, quando acordar, a colocar no papel à espera (abaixo de sua cabeça). Sua consciência, entretanto, manteve-se alerta, representada na figura do lince (ao lado em baixo), que é um animal que enxerga longe.
Nessa obra Goya representou-se rodeado pelos animais noturnos, os quais simbolizam esse estado da não-razão do século que vivia, e, ao mesmo tempo na figura do lince em estado de vigilia, animal que tem um alcance de visão muito superior em relação a todos os outros, a qual é capaz de perceber objetos e movimentos a uma distância muito grande, muito além...das trevas, simbolizando assim, sua consciência latente e sempre alerta, não cedendo, portanto, aos monstros da não-razão de sua época. Um século depois, Picasso também se auto-retratou em forma de um outro animal, a figura do touro de sua Guernica, dentro do contexto da Guerra Civil Espanhola, como idéia de resistência e força.


Fiz essas três releitura em homenagem a esse grande mestre do passado, onde alcançam no último deles a abstração quase que total. Aqui os monstros da ignorância se dissipam em um jogo de formas que se amontoam sobre a cabeça do artista que transformou-se em uma espiral, forma do tempo, infinito.
Miguel Angelo Barbosa

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